Foi insuficiente para alterar a rotina do Mercosul
a decisão anunciada pelas 20 maiores economias mundiais,
em Washington, no fim de semana, de evitar novas barreiras contra
importações por um ano.
Embora tenham assinado o compromisso antiprotecionista, Brasil e
Argentina decidiram, segunda-feira, aumentar a Tarifa Externa Comum
(TEC) para produtos como vinhos, lácteos, têxteis,
madeira e móveis, produtos de couro e pêssego. Mas
o Brasil também decidiu acolher a reivindicação
argentina de permitir àquele país manter por mais
dois anos tarifas mais baixas que as do Mercosul para máquinas
e equipamentos.
“Não é protecionismo, são decisões
em discussão há meses e afetam uma parcela muito pequena
do comércio”, disse o secretário de Comércio
Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria
e Comércio Exterior, Welber Barral. “Há alguns
produtos em que a tarifa aumenta de 16% para 18%.” Há
produtos na lista, porém, em que o aumento elevou a tarifa
para o máximo permitido na Organização Mundial
do Comércio, 35%, no caso de alguns produtos de uso industrial.
As decisões de Brasil e Argentina ainda terão de ser
submetidas aos sócios menores do Mercosul, Paraguai e Uruguai.
Os uruguaios já se manifestaram contrários aos aumentos.
No caso do pêssego, não chegou a haver aumento para
importação no Brasil, que, simplesmente, quer estender
aos sócios a tarifa já cobrada pelas alfândegas
brasileiras, retirando o produto da lista de exceções
à Tarifa Externa Comum. Barral representou o Brasil na reunião
de monitoramento de comércio Brasil-Argentina, em que brasileiros
e argentinos firmaram o acordo. Os países discutiram seus
contenciosos comerciais e concordaram em trocar informações
antes de aplicar medidas antidumping contra os respectivos produtos.
Os brasileiros se queixaram da morosidade na liberação
de licenças de importação para produtos como
têxteis e televisores.
O Brasil aceitou estender por mais dois anos o regime de exceções
(waiver, no jargão do Mercosul) para exportações
de máquinas e equipamentos pela Argentina com tarifa de importação
igual a zero. Em troca, o governo brasileiro exigiu prazos para
elevação gradual das tarifas de bens de capital, e
recebeu o apoio da Argentina para criar um regime comum no Mercosul,
para produção e comércio de produtos navais,
aeronáuticos e educacionais, eliminando a disparidade nas
regulamentações que dificulta a integração
desses mercados entre os sócios do bloco.
Por Sergio Leo, de Brasília
Fonte: Valor Econômico
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