Uma sondagem especial feita em abril pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) revelou que 54% das empresas consultadas usam matérias-primas ou insumos importados. Em 2005, última sondagem desse tipo feita pela CNI, esse percentual era de 39%. Para a CNI, a valorização do real ocorrida nesse período estimulou a substituição de insumos domésticos por importados.

Os dados da pesquisa preocupam a entidade que defendeu ontem ações mais enérgicas do Banco Central (BC) para segurar a cotação da moeda americana, como reduzir mais fortemente as taxas de juros e acelerar a compra de dólares para as reservas internacionais.

"A apreciação recente da taxa de câmbio é motivo de preocupação forte", disse o gerente da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco.
A sondagem abrangeu 1.307 indústrias. No mês de abril, quando o levantamento foi feito, a cotação da moeda americana no Brasil ainda estava por volta de R$ 2,20. Atualmente, o dólar ensaia romper a barreira dos R$ 2,00.

"Acho que devemos ficar atentos para não deixar cair ainda mais a taxa de câmbio e há medidas de natureza monetária e de compra de divisas que podem ser utilizadas mais intensamente pelo Banco Central", comentou o economista, acrescentando que a taxa de juros no Brasil está muito elevada em relação às de outros países.

A pesquisa da CNI mostrou ainda que, entre as empresas que se declararam exportadoras, 66% disseram ter sido afetadas pela crise mundial e tiveram de mudar suas estratégias exportadoras. Isso ocorreu com mais intensidade nos setores automotivo, de madeira e de máquinas.

Quase metade espera queda de participação das exportações em seu faturamento neste ano.

Embora a retração do nível de atividade econômica esteja provocando uma queda geral das importações brasileiras, a maioria dos empresários consultados disse temer uma entrada forte de produtos importados, o que deve elevar a concorrência.

"A percepção dos empresários está relacionada, por um lado, ao excesso mundial de oferta de produtos e, por outro, à avaliação de concorrência no seu próprio setor, o que varia enormemente", afirmou Castelo Branco.

O setor siderúrgico, por exemplo, intensificou nos últimos dias a pressão para que o governo eleve o imposto de importação de aço.

Na avaliação da CNI, o resultado da pesquisa indica
dificuldades para retomada consistente da economia do País. "Com certeza, se houver menos contribuição das exportações, que são uma alavanca importante do crescimento, e ainda tivermos maior competição dos produtos importados, haverá dificuldades para a retomada da atividade", resumiu Castelo Branco.

O Estado de S.Paulo - 29 de Maio de 2009 - 07h50

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