GENEBRA - O protecionismo
esteve no centro da agenda na Organização Mundial
do Comércio (OMC). Dirigentes dos principais organismos multilaterais
destacaram que novas barreiras comerciais, financeiras e ambientais
ameaçam sobretudo as economias emergentes. A mensagem ao
G-8 é clara: é mais do que tempo de concluir a Rodada
Doha para liberalizar e evitar futuras guerras comerciais.
No evento, o presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento
(BID), Luiz Alberto Moreno, mostrou que as exportações
da América Latina sofrem tanto com a enorme retração
da demanda global como com problemas crônicos de infraestrutura
e de instituições.
Segundo estudo do BID, o atraso nas alfândegas na América
Latina aumenta entre 5% e 15% os custos de transporte das exportações.
O custo médio do frete marítimo da América
Latina para os EUA é quase 50% maior que o dos mesmos produtos
originários da Europa.
Além disso, o impacto de redução de 10% nas
taxas de frete poderia aumentar o volume de comércio em 20
vezes mais do que uma redução similar nas tarifas
dos países importadores. Para completar, a região
teria ganhos importantes com harmonização de regras
de origem, de procedimentos aduaneiros e outras facilitações.
A exposição de Moreno coincidiu com um relatório
do Fórum Econômico Mundial que coloca o Brasil em 87ª
posição entre 121 países em relação
à capacidade no comércio internacional. O estudo examina
instituições, políticas e serviços que
facilitam o fluxo internacional de mercadorias.
De acordo com o relatório, a péssima posição
do Brasil revela problemas de transparência nas alfândegas,
que provocam atrasos e prejuízos, e de proteção
do mercado, entre outros. Para o presidente do BID, não há
nada de novo. “É comum ter altos custos na região
com esses problemas. E isso inclui o Brasil”, afirmou.
Pascal Lamy, diretor-geral da OMC, reuniu os principais dirigentes
do FMI, Banco Mundial, OCDE, Programa de Desenvolvimento das Nações
Unidas (Pnud) e de bancos regionais de desenvolvimento para tratar
de ajuda ao comércio de países pobres.
Falou-se, sobretudo, na ameaça do protecionismo, que ainda
não está fora de controle, mas é risco real.
"Os líderes governamentais precisam reconhecer que estão
brincando com fogo", alertou o presidente do Banco Mundial,
Robert Zoellick. Como exemplo, ele citou o Buy American, programa
no qual os americanos discriminam produtos de outros países;
do Buy China, parte do programa de estímulo chinês;
além do aumento de medidas antidumping, de barreiras não
tarifárias e do retorno de subsídios à exportação
de lácteos.
Zoellick citou queda de 35% nas exportações da Europa
Oriental, 25% da Ásia e 20% da América Latina até
abril. Ao mesmo tempo, reconheceu que uma pequena melhora na economia
já vai dar um forte impulso ao comércio. É
que cada dólar de exportação contém
mais importações do que antes.
Dominique Strauss-Kahn, diretor-gerente do FMI, apontou "um
novo protecionismo": o financeiro. Ele criticou o modo como
grandes bancos dos países ricos repatriaram dinheiro dos
emergentes sem “se preocupar com os estragos e com o impacto"
nessas economias.
Com base em cem crises bancárias e financeiras que o FMI
acompanhou, Strauss-Kahn acha que não se pode resolver a
atual com protecionismo financeiro, que leva bancos a concentrar
empréstimos para empresas de seus países.
Outros bancos regionais apontaram o crescente risco de “protecionismo
verde”, sobretudo contra produtos asiáticos.
Valor OnLine - 07/07/09
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