Mais uma vez os produtos
chineses são o centro da reclamação dos empresários
e o alvo da fiscalização do governo. Por trás
da declaração de ontem do ministro do Desenvolvimento,
Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, de que
empresas brasileiras estão comprando máquinas no exterior
e trocando a placa com a descrição da origem do produto,
está uma denúncia da Associação Brasileira
da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) de
que muitas empresas estão comprando bens de capital da China
e revendendo como produto nacional.
O presidente da Abimaq, Luiz Aubert Neto, levou esta informação
ao governo há duas semanas, quando ocorreu a reunião
do Grupo de Acompanhamento da Crise (GAC), criado para discutir
com o setor privado os impactos da crise na economia brasileira.
Neto disse hoje à Agência Estado que muitos equipamentos
comprados pela Petrobras, por exemplo, não são de
origem nacional, embora a estatal não tenha conhecimento
disso.
"A Petrobras acha que paga para uma empresa no Brasil, mas
está comprando lá fora", afirmou. Ele denunciou
também que os estaleiros estão sendo construídos
com peças importadas. "Viramos funilaria de navio. Onde
agrega valor, não fazemos nada", disse.
Miguel Jorge disse ontem ser inaceitável este procedimento
e afirmou que Receita e Ministério do Desenvolvimento irão
agir duramente contra estas empresas. O setor pediu também
que fosse colocada uma exigência mínima de uso de peças
e componentes nacionais, mas uma fonte do governo explicou que este
controle é muito difícil.
Segundo Neto, o processo de substituição de produtos
nacionais por importados da China está cada vez mais forte.
"O câmbio é mortal para nós", afirmou.
"Está havendo um processo de desindustrialização
no Brasil". Ele lembra que o País já foi o quinto
maior produtor de máquinas do mundo na década de 80
e, hoje, caiu para a 15ª posição. Ele contou
que, como as empresas nacionais não conseguem ganhar competitividade,
viram representantes de outro fornecedor no exterior para não
perderem os clientes no Brasil.
Neto afirma que as exportações de bens de capital
nos cinco primeiros meses do ano, em relação ao mesmo
período de 2008, caíram quase 40%, e o faturamento
do setor teve queda de 25%. Por outro lado, as importações
continuam no mesmo nível do ano passado, considerado um ano
forte economicamente.
O presidente da Abimaq espera uma recuperação da competitividade
do setor com as medidas anunciadas ontem pelo governo, de redução
de juros dos financiamentos e da carga tributária. "Só
tem um jeito para conter a substituição de máquinas
nacionais por importadas: é dar competitividade para as empresas
aqui. Falta uma política industrial de desenvolvimento",
defendeu Neto.
Agência Estado – 01/07/09
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