A soma das exportações e das importações da terceira semana de maio de 2008 é a maior da semana já registrada no comércio exterior brasileiro, desde o início desse tipo de levantamento, em janeiro de 1998. O superávit de US$ 922 milhões (média diária de US$ 184,4 milhões), dos dias 12 a 18 de maio, é resultante de uma corrente de comércio de US$ 9,666 bilhões (média diária de US$ 1,933 bilhão), soma de exportações de US$ 5,294 bilhões (média diária de US$ 1,058 bilhão) e importações de US$ 4,372 bilhões (média diária de US$ 874,4 milhões). O valor histórico reflete a normalização das operações no Sistema Integrado de Comércio Exterior (Siscomex), após o fim da greve dos auditores da Receita Federal.

A média das exportações da terceira semana de maio chegou a US$ 1,058 bilhão, em razão do aumento da exportação de produtos básicos (+30,7%), principalmente de petróleo em bruto, minério de ferro, carne de frango, bovina e suína, café em grão e fumo em folhas. Já as demais categorias registraram queda no período como: semimanufaturados (-12,2%), por conta de celulose, açúcar em bruto, ferro-ligas e couros e peles; manufaturados (-0,9%), por causa de óleos combustíveis, autopeças, gasolina, aparelhos transmissores/receptores, motores e geradores e suco de laranja.

Do lado das importações, que tiveram média diária de US$ 874,4 milhões, houve aumento, sobretudo, nos gastos com combustíveis e lubrificantes, equipamentos mecânicos, químicos orgânicos e inorgânicos, siderúrgicos, cobres e obras e aeronaves e peças.

Mensal

No acumulado do mês, com 11 dias úteis, o superávit chega a US$ 2,219 bilhões (média diária de US$ 201,7 milhões), com uma corrente de comércio no valor de US$ 19,699 bilhões – exportações totais de US$ 10,959 bilhões e importações de US$ 8,740 bilhões.

Nas exportações, comparando a média diária até a terceira semana de maio de 2008 (US$ 996,3 milhões), com a de maio de 2007 (US$ 620,3 milhões), no mesmo período, houve crescimento de 60,6% em razão da alta das exportações das três categorias de produtos: básicos (+115,7%) por conta de petróleo em bruto, minério de cobre, soja em grão, minério de ferro, farelo de soja e carne de frango, suína e bovina; semimanufaturados (+59,1%), principalmente de celulose, ferro-ligas, ferro fundido, semimanufaturados de ferro e aço, alumínio em bruto e açúcar em bruto; manufaturados (+23,6%), sobretudo óleo de soja refinado, óleos combustíveis, óxidos e hidróxidos de alumínio, álcool etílico, motores e geradores, automóveis de passageiros, tratores e aparelhos para terraplanagem.

Na comparação com abril deste ano, a média diária das exportações cresceu 48,8% (de US$ 669,5 milhões para US$ 996,3 milhões), devido ao aumento nas vendas de produtos básicos (+95,4%), semimanufaturados (+56,2%) e manufaturados (+15,7%).

Nas importações, a média diária até a terceira semana deste mês, de US$ 794,5 milhões, ficou 78,5% acima da média verificada em maio de 2007 (US$ 445,2 milhões) e 35,5% superior a de abril deste ano. Em relação a maio do ano passado, houve aumento nos gastos com adubos e fertilizantes (+292,1%), combustíveis e lubrificantes (+175,8%), veículos automóveis e partes (+96,3%), cobre e suas obras (+74%) e siderúrgicos (+64,5%). Quanto a abril deste ano, houve crescimento nos seguintes produtos: adubos e fertilizantes (+267,9%), combustíveis e lubrificantes (+87,1%), cobre e suas obras (+43,1%), siderúrgicos (+33,3%) e cereais e produtos de moagem (+33,3%).

Ano

De janeiro até a terceira semana de maio (93 dias úteis), o superávit é de US$ 6,799 bilhões (média diária de US$ 73,1 milhões). Nesse período, o país exportou US$ 63,708 bilhões (média diária de US$ 685 milhões) e importou US$ 56,909 bilhões (média diária de US$ 611,9 milhões), resultando em uma corrente de comércio de US$ 120,616 bilhões e média diária de US$ 1,297 bilhão.

Fonte: Assessoria de Comunicação Social do MDIC

Demanda aquecida eleva projeções para o setor siderúrgico neste ano

O forte aquecimento da demanda por aço no Brasil fez o Instituto Brasileiro de Siderurgia (IBS) revisar para cima a projeção de consumo do produto para este ano. Segundo a entidade, a previsão de crescimento do consumo aparente de aço em 2008 passou de 10% para 13,7%. O consumo aparente engloba as vendas internas e as importações.

O aumento da produção de aço para este ano, no entanto, foi mantido em 11,% sobre os 37,6 milhões de toneladas apuradas em 2007. Somente no primeiro trimestre deste ano houve aumento de 22,5% das vendas internas e de 8,1% da produção em relação ao mesmo período de 2007.

De acordo com o vice-presidente executivo do IBS, Marco Pólo de Mello Lopes, esse crescimento foi impulsionado principalmente pelos setores de construção civil, bens-de-capital e automotivo.

O consumo de aço por habitante no Brasil subiu de 110,3 quilos por habitante em 2006 para 129,3 quilos por habitante em 2007. Esse nível, no entanto, está abaixo do registrado em países desenvolvidos, como Espanha, onde consumo per capita de aço é de 696 quilos por ano, e Coréia do Sul, onde esse valor é de 1.050 quilos.

O Instituto Internacional do Ferro e do Aço (IISA) estima que o consumo aparente de aço atingirá este ano no mundo 1,28 bilhão de toneladas, 6,7% a mais que no ano passado. Para 2009, a previsão é que o consumo mundial de aço totalize 1,36 bilhão de toneladas, aumento de 6,3% sobre 2008.

A entidade apresentou um estudo com projeções para o consumo de aço no país a médio prazo. Tomando por base a projeção de crescimento econômico de 4% ao ano, o consumo aparente de produtos siderúrgicos brasileiros atingirá 40 milhões de toneladas em 2015, o que indica consumo de 213 quilos anuais por habitante.

Se for levada em conta a estimativa da Formação Bruta de Capital Fixo (indicador que mede a taxa de investimento) em 21,5% do Produto Interno Bruto, o consumo aparente de aço em 2015 será de 43,3 milhões de toneladas.

Para o IBS, no entanto, não há risco de desabastecimento porque a capacidade do setor deverá dobrar até 2015, passando dos atuais 41 milhões para 80,6 milhões de toneladas nos próximos sete anos. “Estamos falando de uma nova capacidade instalada do parque existente com os novos entrantes, no curto prazo, ou seja, até 2015, de 63,1 milhões de toneladas, tendo investido para isso US$ 32,9 bilhões”, disse Lopes.

Na avaliação de Lopes, a decisão do governo chinês de inibir as exportações de aço tranqüilizou o setor siderúrgico brasileiro, que se mostrava preocupado em perder mercado internacional com a ampliação da produção no país asiático: “Nossa expectativa é que realmente a gente continue a ter no mercado internacional as condições favoráveis que estamos encontrando agora”. Lopes informou que a China produz atualmente cerca de 500 milhões de toneladas de aço e exporta 10%.

Fonte: Netcomex

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Corrente de comércio da terceira semana de maio é recorde histórico
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