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Resumo de Notícias da Semana 20

Grupo Pinho
March 3, 2022

Receita da exportação russa ao Brasil dobra desde o início da guerra

A receita do fluxo de exportações da Rússia ao Brasil registrou uma forte expansão desde o início da guerra na Ucrânia, e reflete tanto um aumento nos preços dos bens comprados pelo mercado brasileiro como um movimento para antecipar importações de fertilizantes para garantir o abastecimento do mercado nacional. Sob forte embargo e sanções, a Rússia passou a ver seu comércio interrompido para alguns dos principais mercados ocidentais. Mas as explosões nos preços das commodities e de energia permitiram que a receita das vendas russas aumentasse de maneira exponencial. 

Na zona do euro, as vendas dos russos entre janeiro e março de 2021 totalizaram 31 bilhões de euros. No mesmo período de 2022, as exportações russas atingiram 63 bilhões de euros, um aumento mais de 104%.

No caso do Brasil, os dados oficiais do governo brasileiro indicam um movimento similar, mesmo que a energia não seja o centro da importação. Segundo dados oficiais do Ministério da Economia, o Brasil importou em fevereiro US$ 485 milhões da Rússia. No mês seguinte, o valor já subiu para US$ 565 milhões. Mas, em abril, o salto foi ainda maior, com um fluxo de US$ 804 milhões e o maior volume no comércio bilateral em pelo menos seis anos.

Os fertilizantes russos representam mais de 20% do abastecimento nacional do produto e, para áreas como a soja, a importação de Moscou é considerada como estratégica.

Fontes diplomáticas em Brasília explicaram que houve um entendimento, inclusive com o governo americano, que os fertilizantes não entraram na lista dos produtos sob embargo. Mas as dificuldades para importar são importantes. Bancos se recusam a dar créditos para as operações ou elevam preços, enquanto alguns dos principais portos usados nos países do Mar Báltico já não permitem carregamentos russos. O resultado é uma transação mais cara.

Brasil não aplica sanções, mas comércio desaba

Mas se o Brasil paga mais hoje por produtos russos, as vendas nacionais para o mercado russos desabaram desde o início da guerra. Em fevereiro, o Brasil exportou US$ 250 milhões em produtos para a Rússia, em sua grande maioria do setor agrícola. O volume caiu para US$ 172 milhões em março e, em abril, a taxa foi de apenas US$ 91 milhões, um dos piores meses em seis anos.

Um dos principais problemas é a inexistência de empresas brasileiras que fazem o transporte marítimo. Os produtos nacionais, portanto, ficam dependentes de companhias internacionais que não querem ser atingidas por sanções.

No momento que as medidas contra a Rússia foram adotadas, apenas uma dessas empresas carregava 800 containers de produtos agrícolas brasileiros para Moscou, avaliados em US$ 60 milhões. Mas foi deixando esses bens em diferentes portos pelo mundo para evitar entregar no mercado russo. 

João Santos Lima, da SL Trading e especializada no comércio de frutas para a Rússia, apontou que, hoje, é praticamente impossível realizar o abastecimento dos produtos nacionais. "O Brasil não adota as sanções. Mas, ao não ter empresas marítimas próprias, também sofre", disse. "Não tem sanção, mas tampouco há comércio em vários dos setores", explicou. 

No caso do amendoim ou da carne, o frete cobrado para garantir o abastecimento na Rússia inviabilizou a exportação. Para ele, se o fluxo de exportação caiu entre fevereiro e abril, o tombo promete ser ainda maior nos próximos meses, se a guerra continuar.

Em diferentes órgãos internacionais, não por acaso, o Brasil vem insistindo em apontar que sanções que afetam a agricultura poderão ter um impacto global e reabrir o debate sobre a fome no mundo. Na OMC, por exemplo, o Itamaraty fez uma proposta para a criação de corredores de alimentos e de fertilizantes.

Fonte: UOL

Superávit comercial tem queda de 3,5% e soma US$ 22,89 bilhões até a 2ª semana de maio

A balança comercial brasileira fechou a segunda semana de maio com superávit de US$ 22,89 bilhões no acumulado do ano, com recuo de 3,5% sobre o período de janeiro a maio de 2021, pela média diária. A corrente de comércio registrou aumento: subiu 23,3% no mesmo período, atingindo US$ 208,14 bilhões. Isso foi reflexo do crescimento de 20% das exportações, que somaram US$ 115,52 bilhões, e do aumento de 27,6% das importações, que totalizaram US$ 92,62 bilhões. Os dados foram divulgados na segunda-feira (16/5) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

A divulgação dos dados da balança comercial da terceira semana de maio está prevista para a próxima segunda-feira (23/5), após as 18 horas.

No mês de maio, até a segunda semana, as exportações cresceram 12,8% em relação à média diária de maio de 2021, somando US$ 14,08 bilhões. As importações cresceram 35,2% e totalizaram US$ 11,37 bilhões. Assim, o saldo positivo da balança comercial foi de US$ 2,71 bilhões, com redução de 33,3%, e a corrente de comércio aumentou 21,8%, alcançando US$ 25,45 bilhões.

Somente na segunda semana do mês, o superávit foi de US$ 496 milhões e a corrente de comércio atingiu US$ 12,431 bilhões, resultado de exportações no valor de US$ 6,463 bilhões e importações de US$ 5,968 bilhões.

Veja os principais resultados da balança comercial

Exportações mensais

O desempenho das exportações no mês, até a segunda semana, mostrou crescimentos de 2,8% na Agropecuária, que somou US$ 3,71 bilhões; de 5,6% na Indústria Extrativa, que chegou a US$ 3,07 bilhões; e de 22,7% na Indústria de Transformação, com US$ 7,22 bilhões.

Na Agropecuária, os destaques foram as vendas de trigo e centeio, não moídos (+837.347,1%), milho não moído, exceto milho doce (+10.996,3%) e café não torrado (+37,8%). A Indústria Extrativa vendeu mais produtos como outros minerais em bruto (+118,6%), minérios de níquel e seus concentrados (+215,1%) e óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (+50,1%).

As exportações da Indústria de Transformação foram impulsionadas pelos embarques de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada (+57,3%), carnes de aves e suas miudezas comestíveis, frescas, refrigeradas ou congeladas (+39,6%) e farelos de soja e outros alimentos para animais – excluídos cereais não moídos –, farinhas de carnes e outros animais (+54,7%).

Importações no mês

Do lado das importações, no mês, a Secex constatou aumentos de 10,3% em Agropecuária, que somou US$ 228 milhões; de 72,3% na Indústria Extrativa, que chegou a US$ 831,42 milhões; e de 34,1% na Indústria de Transformação, que alcançou US$ 10,24 bilhões.

Os destaques foram a ampliação das compras de milho não moído, exceto milho doce (+83%), frutas e nozes não oleaginosas, frescas ou secas (+43,4%) e cacau em bruto ou torrado (+20.071,7%) na Agropecuária. Na Indústria Extrativa, aumentaram principalmente as entradas de carvão, mesmo em pó, mas não aglomerado (+184,8%), óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos, crus (+57,7%) e gás natural, liquefeito ou não (+31,6%).

Já a Indústria de Transformação ampliou as compras de óleos combustíveis de petróleo ou de minerais betuminosos, exceto óleos brutos (+158,3%), compostos organo-inorgânicos, compostos heterocíclicos, ácidos nucléicos e seus sais, e sulfonamidas (+69,4%), além de adubos ou fertilizantes químicos, exceto fertilizantes brutos (+223,4%).

Fonte: Comex do Brasil

Governo promove missão de prospecção comercial a dez países árabes nas áreas de defesa, agronegócio e infraestrutura

O governo do Brasil promove missão comercial a dez países árabes, de 17 de maio a 6 de junho. Quem coordena a viagem é a Secretaria Especial de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República, e a delegação contará com empresários e representantes de associações dos setores de defesa, agronegócio e infraestrutura.

Os países árabes visitados serão Marrocos, Egito, Emirados Árabes, Omã, Kuwait, Bahrein, Catar e Arábia Saudita. Um pequeno grupo da delegação visitará também o Iraque para cumprir uma agenda específica.

O secretário especial de Assuntos Estratégicos da Presidência, Flávio Augusto Viana Rocha, esteve na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira na última sexta-feira (13) para realizar reunião com os empresários e associações participantes. O presidente da Câmara Árabe, Osmar Chohfi, participou do evento.

O objetivo da missão, segundo o secretário, é fazer contatos e possíveis negócios com as contrapartes dos setores e apresentar opções de parcerias entre empresários brasileiros e árabes. Rocha disse que também haverá agenda com fundos de investimentos árabes.

A agenda completa da missão ainda não foi divulgada. O assessor de Comunicação da Secretaria, Marcos Viana, coordena a missão e também participou da reunião híbrida, que teve participantes presenciais e por videochamada.

Estão confirmadas as participações da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde), da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), e empresas como Embraer, Mac Jee, Taurus, Condor e Avionics. Participam também a Secretaria de Produtos de Defesa (Seprod) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). A Câmara Árabe será representada na missão pela diretora de Relações Institucionais, Fernanda Baltazar.

No final da missão, haverá agendas também na Hungria e República Tcheca. A viagem será feita em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB), um KC-390, modelo de carga da Embraer que será adaptado para o voo com acomodação de classe econômica.

Fonte: Comex do Brasil 

Brasil quer debater diversificação da pauta exportadora para a China em reunião de Comissão de Alto Nível

A Comissão Sino-Brasileira de Alto Nível de Concertação e Cooperação (Cosban) estará reunida no próximo dia 23 de maio, em formato virtual, e deverá ser marcada pela defesa, pela parte brasileira, da necessidade de diversificação da pauta exportadora nacional, fortemente concentrada em produtos básicos de menor valor agregado. Principal parceiro comercial do Brasil, a China concentra suas importações em commodities e apenas três delas -soja, petróleo e minério de ferro- responderam por 79% do volume total embarcado pelas empresas brasileiras ao país asiático no primeiro quadrimestre de 2022.

Aumentar a participação de bens industrializados nos embarques para a China é considerada pelo governo brasileiro uma das grandes prioridades a serem abordadas na reunião da Cosban e segundo José Ricardo dos Santos Luz Júnior (CEO do LIDE China), o país asiático sempre se dispôs a debater esse tema. Segundo ele, “todos sabemos que existe esse déficit em relação à qualidade da balança comercial sino-brasileira e nos últimos anos esses três produtos chegaram a responder por até 90% das exportações totais para o mercado chinês. O Brasil tem apresentado esse pleito e a China  se mostra favorável a melhorar essa relação”.

Sintonia pró-diversificação da pauta exportadora brasileira

O CEO do LIDE China destaca que  a ata da 5ª.  Reunião Plenária da Cosban, de 23 de maio de 2019 informa que “as partes acordaram fortalecer as trocas bilaterais e a cooperação em todas as áreas. Promover a facilitação do comércio, buscar o crescimento de alta qualidade do comércio bilateral, expandir a cooperação e inovação, incentivar novas áreas no âmbito da cooperação econômico-comercial. Reconheceram a excessiva concentração das exportações brasileiras para a China em um grupo específico de produtos primários, bem como o superávit do Brasil, e reafirmaram seu compromisso de criar condições para a diversificação e o aumento do valor agregado dos produtos vendidos pelo Brasil para a China”.

Após sublinhar a existência da indispensável vontade política de diversificar a pauta exportadora para a China, José Ricardo dos Santos Luiz Júnior afirma que “para que isso aconteça, o Brasil precisa fazer o seu dever de casa, dizer claramente o que quer da China, porque a China sabe muito bem o que quer do Brasil. E sempre repito que a  China nunca olha o Brasil sob o prisma de um mandato presidencial de quatro anos, mas, sim, com uma visão de longo prazo. A China sabe que o Brasil é um parceiro importante e tem interesse em realizar investimentos de longo prazo no País”.

Em sua análise sobre a pretensão brasileira de aumentar a participação dos produtos industrializados no escopo das vendas para a China, o especialista ressalta que “precisamos ser muito realistas. Não adianta falar em melhorar a pauta comercial e pensar em exportar carros, aparelhos de televisão ou celulares para a China, porque não temos competitividade nesses setores. Temos valor agregado no campo, no agronegócio. Então, temos que identificar as nossas forças, nossos pontos fortes, para ver o que pode ser feito para melhorar e diversificar a pauta exportadora para a China”.

A reunião da Cosban, a ser realizada dentro de uma semana, “deverá acender essa chama entre o Brasil e a China”. Principal mecanismo diplomático de coordenação e diálogo entre os dois países, a Comissão deverá promover o lançamento de dois importantes documentos. Um é o plano estratégico, destinado a balizar a cooperação bilateral nos próximos dez anos. O outro, com duração de cinco anos, é o plano executivo que servirá para  identificar os pontos de uma agenda comum a vigorar até 2027, indicando setores e projetos e compromissos a serem assumidos, além de designar os órgãos responsáveis pelo seu acompanhamento.

Uma agenda prejudicada por declarações e posturas anti-China

Na percepção de Tito Sá, Consultor de Comércio Internacional da BMJ Consultores Associados, “o lançamento desses planos mais do que significa uma intensificação de laços entre Brasil e China, visa renovar as versões anteriores, cujos prazos já estão vencidos. A expectativa é que os planos contemplem programas de investimentos dos dois países, com foco no setor de infraestrutura”.

Mas o Consultor da BMJ faz uma ressalva:  “a questão central a ser desvendada é se esses planos gozam de viabilidade econômica e, principalmente, política. Seguramente, as eleições em outubro, no Brasil, têm potencial de impactar positiva ou negativamente as relações Brasil-China. Em caso de vitória do ex-presidente Lula da Silva, a partir de uma análise histórica, pode-se esperar uma tentativa de fortalecimento das relações com o gigante asiático. Em caso de renovação do mandato do presidente Jair Bolsonaro, elevam-se as incertezas”.

Tito Sá considera “inquestionável” que o fortalecimento das relações sino-brasileiras se deu, sobretudo, durante os governos petistas, “muito ancorado pela nova orientação da política externa brasileira, voltada à cooperação Sul-Sul, mas, se deu, também, em um período de maior abertura comercial por parte da China, cujo marco é sua adesão à Organização Mundial do Comércio (OMC), em 2001”.

Ele lembra ainda que “é imprescindível notar que a política externa chinesa é orientada por uma estratégia de longo prazo, sendo essa uma de suas características elementares. Nesse sentido, ainda que as relações com o Brasil tenham se fortalecido durante os governos do PT, esse relacionamento em nada foi abalado durante o governo do ex-presidente Michel Temer”.

O analista cita como exemplo a criação, em 2015, do Fundo Brasil-China, ainda durante o governo de Dilma Rousseff e que tinha como objetivo a expansão da capacidade produtiva. A institucionalização do Fundo se deu em 2017, durante o governo de Michel Temer. Alguns projetos na área de infraestrutura foram cogitados para receber aportes desse mecanismo, mas isso nunca aconteceu. Segundo Tito Sá, “ademais da crise econômica e da volatilidade cambial, o fator político certamente contribuiu para sua inatividade”.

E se o clima já não era favorável, as incertezas só fizeram crescer depois que Jair Bolsonaro assumiu a presidência da República, em 2019. De acordo com Tito Sá, “já à época das eleições, em 2018, Bolsonaro posicionava-se contrariamente aos chineses, acusando-os, por exemplo, de terem um plano para comprar o Brasil. Posteriormente à posse, integrantes da família do presidente se referiram ao vírus da Covid-19 como ‘vírus chinês’, o que provocou sinais de crise diplomática. Sob uma postura de alinhamento total e axiomático com os Estados Unidos, de Donald Trump, as relações do Brasil com o gigante asiático passaram por momentos conturbados nestes últimos anos. Não fosse a estratégia de longo prazo uma característica da atuação política de Pequim, as relações Brasil-China talvez estivessem bem piores”.

Fonte: Comex do Brasil

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