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Resumo de Notícias da Semana 29

Grupo Pinho
March 3, 2022

Balança comercial: AEB revê projeções e aposta em recordes nas exportações, importações, corrente de comércio e redução do superávit em 2022

Brasília – A balança comercial brasileira poderá fechar o ano de 2022 com um triplo recorde: nas exportações, importações e corrente de comércio (exportações+importações) mas terá um superávit de US$  54,126 bilhões, inferior aos US$ 61,224 bilhões (recorde da série histórica iniciada em 1997) registrado em 2021. Os dados são da  revisão da balança comercial para 2022, divulgados hoje (22) pela Associação de Comércio Exterior do Brasil (AEB).

A projeção da AEB prevê exportações no total de US$ 319,471 bilhões (alta de 13,8% em relação ao total de US$ 280,633 bilhões alcançado no ano passado. Por outro lado, as exportações devem atingir o patamar de US$ 265,345 bilhões (aumento de 21,0% em comparação com as compras externas de US$ 219,409 bilhões realizadas em 2021). Com esses números, a AEB projeta uma corrente de comércio no total de US$ 584.812 bilhões ante um fluxo de comércio de US$ 500.042 registrado no ano anterior.

Ao apresentar a revisão, o presidente da AEB, José Augusto de Castro, afirmou que para elaborar o estudo levou em consideração “a pandemia, a guerra na Ucrânia, a desaceleração econômica mundial, a inflação mundial, o bloqueio de contêineres e lockdowns na China, o aumento dos custos de fretes internacionais, a falta de matérias-primas, a elevação das cotações de commodities, as operações-padrão no Brasil, a elevação das taxas de juros, entre outros cenários e fatores”.

Segundo ele, “apesar de ter arrefecido seus efeitos negativos, a pandemia continua sendo fator de incertezas econômicas em 2022, com a economia e o comércio mundiais ainda sendo impactados, direta e indiretamente pela Covid-19, provocando ajustes econômicos e iniciativas temporárias em cada país, afetando seus níveis de desenvolvimento, emprego e investimento. Para o Brasil, apesar de tudo, esse cenário econômico tem seus aspectos positivos, pois é beneficiado como país exportador de commodities. O aspecto negativo é que o Brasil torna-se ainda mais dependente das exportações de commodities, produtos com níveis reduzidos de agregação de valor, sobre os quais o Brasil e seus exportadores não têm controle de seus preços e quantum”.

PARTICULARIDADES

Em seu exercício tradicional de acompanhamento dos dados da balança comercial brasileira, a AEB destacou uma série de particularidades:

Em 2022 as exportações de soja em grão deverão atingir apenas 75 milhões de toneladas, com redução de 12,8% em volume devido à queda de safra, porém, ainda mantendo a soja como principal produto exportado pelo Brasil, graças à elevação de 29,7% em suas cotações. Em 2021, foram exportadas 86 milhões de toneladas.

Em 2022, a soja em grão vai retomar a liderança das exportações brasileiras, com US$ 43,698 bilhões, graças às quedas de preço e volume nas exportações de minério de ferro e à redução de volume de petróleo.

O aumento projetado de 13,8% nas exportações e crescimento de 21% nas importações brasileiras contribuirão de forma negativa no cálculo do PIB de 2022.

Soja em grão, petróleo em bruto e minério de ferro terão sua participação nas exportações brasileiras reduzidas para 35,3% frente aos 40,5% alcançados em 2021, devido à queda de preços e volumes em suas exportações.

Uma vez mais, dentre os 15 principais produtos exportados pelo Brasil 14 são commodities, exceto automóveis, ratificando a falta de competitividade dos produtos manufaturados.

A taxa cambial ainda deverá ser motivo de altas e baixas em 2022, num mercado volátil e sujeito a fatores externos e internos impactando suas cotações, que devem oscilar entre o mínimo de R$ 4,70 e o máximo de R$ 5,50, sendo R$ 5,20 a taxa mediana.

Os dados projetados de exportação e importação para 2022 sinalizam que, graças às elevadas cotações das commodities, o Brasil poderá deixar a atual 26ª posição no ranking mundial de exportação e ganhar até 4 posições. Com relação às importações, as expressivas altas de preços observadas em bens da indústria de transformação farão o Brasil deixar a atual 29ª posição e ganhar até 5 posições.

Em 2021, a balança comercial brasileira de produtos manufaturados apresentou déficit de US$ 111,278 bilhões. Em 2022, até o mês de junho, o déficit alcança US$ 59,511 bilhões, projetando atingir US$ 120 bilhões e superando o recorde do ano passado.

Este resultado negativo da balança comercial de produtos manufaturados mantém sua continua queda de participação na pauta de exportações, que após atingir 59% no ano 2000, atualmente representa 28,5%, ou seja, queda de participação acumulada de 51,7%, significando importante perda de divisas e empregos qualificados.

FUTURO DEPENDE DE REFORMAS E REDUÇÃO DO CUSTO-BRASIL

Na percepção da AEB, o futuro do Brasil e do comércio exterior brasileiro em particular, continuam dependentes da realização de duas tarefas indispensáveis: aprovar as reformas estruturais e reduzir o Custo-Brasil.

Na opinião de José Augusto de Castro, “A ausência destas reformas e iniciativas é responsável pelas exportações de commodities serem destaque na pauta de exportação, ao contrário dos produtos manufaturados, com reduzida participação .Assim, vamos analisar as propostas de todos os candidatos, em todos os cargos, e escolher aquele em quem votar conforme criteriosa avaliação. Uma boa escolha é fundamental para o Brasil optar pelo melhor caminho para seu desenvolvimento econômico e social, o que inclui o comércio exterior”.

Fonte: Comex do Brasil 

Especialistas avaliam possíveis reflexos da crise econômica da China no intercâmbio comercial com o Brasil

A desaceleração da economia chinesa, que pode se agravar com a perspectiva de novos lockdowns de combate à Covid-19 e a crise no setor imobiliário, afetará o Brasil neste segundo semestre e deverá continuar se refletindo sobre o comércio bilateral com o gigante asiático no transcorrer de 2023. Apesar disso, a China seguirá ocupando a posição de principal parceiro comercial do Brasil e o volume das trocas bilaterais seguirá no elevado patamar registrado no primeiro semestre de 2022.

Especialistas ouvidos pelo Comexdobrasil.com foram unânimes na avaliação positiva do intercâmbio comercial Brasil-China, apesar dos problemas vividos pela segunda maior economia do planeta.

Diretor Comercial da Efficienza, Fábio Pizzamiglio destaca a existência de uma série de pontos onde a desaceleração da economia chinesa pode afetar o Brasil e as relações entre os dois países. Segundo ele, “o primeiro ponto, e mais óbvio, é a dificuldade enfrentada para manutenção do comércio entre os países nos níveis anteriores, devido aos problemas no escoamento dos produtos. Em função da pandemia e da política agressiva chinesa em relação aos casos de Covid-19, alguns dos principais portos chineses foram fechados, trazendo grande impacto tanto no preço dos fretes como dificuldades de se conseguir contêineres para embarcar os produtos, além dos grandes atrasos decorrentes da necessidade de se buscar alternativas. Vale destacar que o problema enfrentado hoje não é de falta de produtos e sim de uma desorganização da cadeia de suprimento”.

Efficienza: lockdown e crise imobiliária

A esse ponto, na percepção de Fábio Pizzamiglio, se soma outro aspecto ainda mais preocupante que o lockdown, que é a crise das grandes empreiteiras chinesas, como é o caso da Evergrande. Para o especialista em comércio exterior, “um colapso imobiliário na China pode trazer consequências ainda maiores, visto que o Brasil, por ser um grande fornecedor de produtos empregados diretamente na construção, como o minério de ferro, pode enfrentar uma grande redução em suas exportações para a China. E uma terceira questão que merece ser mencionada diz respeito à crise de fertilizantes ocasionada pela guerra na Ucrânia que, se não for tratada de forma rápida, pode gerar diminuição na produção de soja, que no caso do Brasil tem na China 60% de seu destino final”.

Isto posto, Fábio Pizzamiglio afirma que os reflexos da crise econômica na China serão sentidos durante este ano e avançando em 2023, apesar dos sinais de melhora na questão logística, onde os preços dos fretes internacionais recuaram e a oferta de contêineres demonstrou recuperação. Ainda assim, ele considera que “os dois anos de pandemia desorganizaram muito as cadeias de fornecimento, que vinham sendo construídas desde o pós-guerra e esse é um processo que requer tempo e traz impactos financeiros a todos os países. Se o fluxo de comércio entre os dois países não sofrer nenhuma surpresa, a tendência é de uma sequência na estabilização dos negócios e inclusive um possível salto nas transações, visto que ainda existe demanda represada em ambos os países”.

A crise na ótica do LIDE China

Percepção bastante parecida é exposta por José Ricardo dos Santos Luz Júnior, CEO do LIDE China, que reforça a preocupação com os efeitos do lockdown como ação de combate aos casos de Covid-19 no país asiático no comércio com o Brasil: “se analisarmos a relação sino-brasileira entendo, sim, que pode haver uma queda do intercâmbio bilateral, mas não acho que seja uma queda drástica, mas talvez uma equivalência em termos de importação e exportação Brasil-China em 2021, que foi da ordem de US$ 135,4 bilhões. Principalmente do lado da importação chinesa dos produtos brasileiros. Sabemos muito bem que há décadas a pauta de exportação do Brasil para a China é composta majoritariamente por minério de ferro, soja, petróleo e celulose. Esses quatro itens são os pilares da nossa exportação e respondem por 80% e até 90% da nossa pauta exportadora para a China”.

Produto a produto, o CEO do LIDE China faz uma avaliação dos itens que são o carro-chefe das vendas brasileiras para a China: “no tocante à soja, a oleaginosa é usada para diversos fins na China e talvez ela possa ter uma manutenção da sua demanda. Por outro lado, o minério de ferro é uma commodity que está tendo uma demanda diminuída na China, por conta da desaceleração do crescimento doméstico chinês, até por conta do real state, um dos pilares que movem o crescimento doméstico chinês. O desenvolvimento de obras na China tem diminuído e existe a  possibilidade de uma menor demanda chinesa em relação ao minério de ferro brasileiro. Se analisarmos o petróleo, a China faz um grande esforço na busca de fontes alternativas de energia, não só energias limpas como a solar e eólica, como também o hidrogênio verde. Por outro lado, temos acompanhado o crescimento da frota de taxis, ônibus e automóveis basicamente elétricos, o que vem sendo muito bem recebido pelo povo chinês”.

Com esses fatores presentes, o executivo diz acreditar que “haverá um impacto no comércio sino-brasileiro, ou até mesmo uma manutenção do valor de US$ 135,4 bilhões na corrente de comércio bilateral registrado no ano passado, mas não acredito em uma redução drástica, mas numa leve redução”.

China Trade Center defende diversificação da pauta exportadora

Pragmático, Henrique Reis, Gerente de Relações Internacionais no Grupo China Trade Center, afirma que “sem dúvidas, uma desaceleração da economia chinesa não só traria impactos para o Brasil, mas para o mundo. Entretanto, no meu ponto de vista, não há motivo para alarde, porém, de muita atenção”.

Em sua análise, Henrique Reis sublinha que “é claro que as commodities possuem grande supremacia na pauta das exportações brasileiras para a China e entre os cinco principais produtos exportados estão a soja, minério de ferro, petróleo, carne bovina e celulose. Uma contração na economia chinesa certamente atingiria diretamente esses setores. Se olharmos para o agronegócio, caso a China reduza seu volume de compra, os produtores brasileiros teriam que estar preparados para vender o excedente, mas isso não ocorreria da noite para o dia. No ano passado, quando o governo chinês embargou a compra de carne bovina brasileira por alguns meses, foi possível ver os impactos negativos causados pela situação e a incerteza que a medida gerou para o setor”.

O executivo do Grupo China Trade Center prossegue lembrando que “recordes históricos na balança comercial foram atingidos nos últimos anos e o Brasil acumulou sucessivos e consideráveis superávits no intercâmbio com a China e um retrocesso não significará necessariamente um caos. Esse crescimento não será eterno, a produção de commodities também é limitada e um dia atingirá o seu pico. Nesse caso, a maior preocupação por parte do governo brasileiro deverá ser o de diversificar a pauta de exportação para a China, assim como de potencializar seus parceiros comerciais, além de buscar novos mercados. Estou certo de que para alguns setores isso já vem sendo feito”.

Fonte: Comex do Brasil 

Movimentação de cargas no Porto de Imbituba cresce 19,3% no 1º semestre e totaliza 3,5 milhões de toneladas 

No Sul catarinense, o Porto de Imbituba fechou o 1º semestre de 2022 com 3,5 milhões de toneladas movimentadas, o que representa alta de 19,3% na operação de cargas em relação ao mesmo período do ano passado. De janeiro a junho, o Porto atendeu 139 navios, um crescimento de 8,6% no número de embarcações atracadas, se comparado a 2021.

Os granéis sólidos lideram as operações, com 78,3% do volume movimentado no período, seguidos dos contêineres (12,2%), das cargas gerais (9,1%) e do granel líquido (0,4%). Os principais produtos transportados foram o coque de petróleo, contêineres, fertilizantes, sal e minério de ferro.

Quanto ao fluxo de navegação, a maior parte das operações são de importação (46,6%), um aumento 6,9% no montante desembarcado em relação ao 1º semestre de 2021. Já a exportação representou a fatia de 41,4% da movimentação do Porto, com incremento de 43,8%. A cabotagem, que é a navegação entre portos brasileiros, obteve 6,1% no volume em toneladas transportadas no período, representando 12,4% da movimentação total.

Para o ano, a previsão é de que mais de 7 milhões de toneladas sejam movimentadas no Porto de Imbituba.

Fonte: Comex do Brasil 

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