Importação de carga a granel pela Duimp: o que muda com o fim da DI?

Duimp para carga a granel

A Duimp para carga a granel entrou em uma etapa importante da migração para o Novo Processo de Importação. Em 27 de agosto de 2026, o Siscomex adiou para 11 de outubro de 2026 o desligamento da Declaração de Importação (DI) para operações com modalidade de embalagem tipo granel, anteriormente previsto para 31 de agosto.

A mudança vai além da substituição de uma declaração por outra. Para empresas que operam com granéis, a transição exige atenção aos dados utilizados na operação, sistemas, integrações e procedimentos internos, além da preparação das informações necessárias para o novo fluxo.

Esse cuidado precisa estar conectado ao desembaraço aduaneiro e à programação logística como um todo.

O prazo adicional até outubro representa, portanto, um período importante de preparação. Empresas que ainda utilizam o fluxo tradicional devem aproveitar esse intervalo para adequar e validar seus processos para utilização da Duimp, identificando eventuais ajustes antes do desligamento previsto no cronograma. 

O que significa o fim da DI para cargas a granel?

A Declaração de Importação (DI) está sendo desligada de forma gradual, conforme o cronograma de migração para o Novo Processo de Importação. Por isso, não existe uma única data de encerramento da DI para todas as operações brasileiras.

No caso do granel marítimo, o Siscomex adiou para 11 de outubro de 2026 o desligamento da modalidade de embalagem tipo Granel por DI, anteriormente previsto para 31 de agosto.

A partir do desligamento, a Duimp passa a ser obrigatória para as operações alcançadas por esse marco do cronograma. Ainda assim, o importador deve verificar as situações especiais e eventuais hipóteses de impossibilidade de utilização da Duimp previstas oficialmente para sua operação.

Por isso, mais do que observar apenas a data, é importante verificar se as características específicas da importação já permitem ou exigem o registro por Duimp.

Por que o prazo foi adiado para 11 de outubro?

Segundo o Comunicado Siscomex Importação nº 092/2026, a prorrogação teve como objetivo proporcionar tempo adicional para que os intervenientes se adaptem às mudanças decorrentes da implantação dos novos processos por Duimp.

O comunicado recomenda que importadores, exportadores, despachantes aduaneiros, transportadores e demais usuários realizem os ajustes necessários em seus sistemas e procedimentos internos para a continuidade das operações após o desligamento.

Na prática, o adiamento ampliou o período disponível para preparação, mas manteve o desligamento da DI para essas operações no cronograma, agora previsto para 11 de outubro de 2026.

O que muda da DI para a Duimp na operação a granel?

A Duimp faz parte de uma arquitetura diferente da antiga DI. No Novo Processo de Importação, informações e controles passam a ser estruturados de forma mais integrada entre os módulos do Portal Único Siscomex.

Uma das diferenças relevantes é a possibilidade de registro antecipado da Duimp, antes da chegada da carga ao País, desde que sejam atendidas as condições aplicáveis à operação. Isso permite antecipar determinadas etapas do processo aduaneiro.

Para operações a granel, essa possibilidade ganha importância porque atracação, descarga, disponibilidade da mercadoria e controles aduaneiros e administrativos precisam estar coordenados dentro do planejamento da importação.

No fluxo tradicionalNo Novo Processo de Importação
Registro baseado na DIDeclaração Única de Importação (Duimp) 
Informações concentradas na declaraçãoMaior integração e reutilização de dados entre módulos 
LI em operações sujeitas a licenciamentoLPCO nos tratamentos administrativos migrados ao NPI 
Maior dependência de etapas sequenciaisPossibilidade de registro antecipado da Duimp, quando aplicável 
Sistemas e cadastros antigosCatálogo de Produtos, Duimp, LPCO e demais módulos integrados 

A mudança, porém, não significa que toda operação ficará automaticamente mais rápida. Os resultados dependem da qualidade e consistência das informações, do cumprimento dos controles aplicáveis e da preparação dos diferentes intervenientes envolvidos na operação. 

A carga a granel tem particularidades que exigem atenção

Diferentemente de operações conteinerizadas com volumes previamente individualizados, as cargas a granel podem apresentar particularidades relacionadas a peso, quantidade, formas de descarga, movimentação e apuração das quantidades efetivamente movimentadas.

A legislação e os procedimentos aduaneiros contemplam regras específicas para mercadorias transportadas a granel. Por isso, a migração para a Duimp exige mais do que simplesmente reproduzir as informações anteriormente utilizadas na DI.

A empresa precisa revisar como os dados do embarque são gerados, quem é responsável por fornecê-los, em que momento ficam disponíveis e como eventuais diferenças identificadas durante a operação serão tratadas no novo fluxo.

Essa análise é importante para que as informações utilizadas na Duimp estejam alinhadas aos documentos, aos dados logísticos e às características efetivamente apuradas na operação.

Quais áreas precisam se preparar para a Duimp carga a granel?

A transição para a Duimp não envolve apenas o departamento de comércio exterior. Dependendo da estrutura da empresa, áreas como compras, fiscal, logística e TI, além de despachantes aduaneiros, agentes de carga e transportadores, podem fornecer ou utilizar informações que fazem parte da operação.

Quando um dado passa a ser estruturado de forma diferente, precisa estar disponível antecipadamente ou exige integração entre sistemas, o impacto pode alcançar diferentes etapas do processo.

Por isso, a preparação para a Duimp deve considerar não apenas o registro da declaração, mas também a origem dos dados, os responsáveis por cada informação e a integração entre os envolvidos na importação.

Importadores precisam revisar dados e cadastros

Um dos primeiros cuidados é verificar se os produtos e os dados utilizados pela empresa estão preparados para o Novo Processo de Importação.

Isso inclui classificação fiscal, atributos aplicáveis, consistência das informações cadastrais e correto preenchimento do Catálogo de Produtos para as operações realizadas por Duimp. Quando houver tratamento administrativo, também é necessário verificar os controles aplicáveis e eventual necessidade de LPCO.

Outro ponto importante é revisar as parametrizações dos sistemas internos, ERPs e integrações que tenham sido estruturados com base no fluxo tradicional da DI. A migração pode exigir ajustes na forma como os dados são gerados, armazenados e enviados ao Portal Único.

Despachantes precisam testar o fluxo real da operação

O despachante aduaneiro precisa conhecer não apenas o preenchimento da Duimp, mas também o fluxo operacional e documental relacionado à importação e as particularidades da carga a granel.

Dependendo da operação, podem estar envolvidos registro antecipado da Duimp, dados e documentos de transporte, controles de órgãos anuentes e procedimentos relacionados ao terminal e à movimentação da carga.

Testes e validações prévias contribuem para identificar inconsistências e necessidades de ajuste antes da operação efetiva. O período adicional concedido até outubro representa, portanto, uma oportunidade para validar rotinas, responsabilidades e fluxos de informação antes do desligamento previsto da DI.

Transportadores e agentes de carga precisam alinhar informações

A transição também exige atenção às informações logísticas utilizadas na declaração e nos módulos relacionados à carga.

Dados do transporte, pesos, datas, referências e demais informações do embarque precisam estar consistentes entre os diferentes intervenientes e sistemas envolvidos na operação.

Em um ambiente mais integrado, a qualidade e a sincronização dessas informações ganham ainda mais relevância. Por isso, transportadores, agentes de carga, importadores e despachantes precisam alinhar previamente responsabilidades, dados e momentos de transmissão das informações.

Por isso, planejamento aduaneiro e frete internacional precisam trabalhar com o mesmo conjunto de dados desde o início da operação.

O que deve ser revisado nos sistemas antes de outubro?

A recomendação de adequação dos sistemas não deve ficar restrita ao fornecedor de software. A empresa precisa entender como os dados são gerados, tratados, integrados e disponibilizados para o registro da operação no Portal Único.

Uma revisão prática pode considerar cinco pontos:

  • integração do ERP ou sistema de comércio exterior com o Portal Único;
  • cadastro, atributos e versionamento dos produtos no Catálogo de Produtos;
  • dados dos operadores estrangeiros utilizados no novo processo;
  • suporte aos tratamentos administrativos e LPCO aplicáveis à operação;
  • troca de informações com despachantes, agentes de carga e transportadores.

Quando houver APIs ou integrações automatizadas, também é importante verificar se os serviços utilizados estão adequados ao fluxo da Duimp e se foram realizados testes com cenários representativos das operações da empresa.

Mais do que uma atualização técnica, essa revisão deve confirmar se os sistemas conseguem fornecer informações consistentes e no momento necessário para o novo fluxo.

Não basta conseguir registrar uma Duimp

Um erro na preparação para a migração é considerar o processo concluído apenas porque o sistema consegue registrar uma Duimp.

Os testes precisam avaliar o fluxo de forma mais ampla: os dados foram corretamente integrados a partir do ERP? O Catálogo de Produtos está consistente? O tratamento administrativo foi verificado? Os dados de transporte estão coerentes? A operação permite realizar os ajustes ou retificações necessários, quando aplicáveis?

Para cargas a granel, também é importante considerar cenários em que diferenças de peso ou quantidade sejam identificadas durante ou após a descarga e verificar quais procedimentos serão aplicáveis.

O objetivo é confirmar se sistemas, dados e procedimentos internos estão preparados também para situações diferentes do cenário inicialmente planejado.

Como a Duimp pode alterar o planejamento do despacho?

Uma das mudanças relevantes do Novo Processo de Importação é a ampliação da possibilidade de antecipar o registro e determinadas etapas do controle aduaneiro.

Diferentemente da DI, cujo registro antecipado é previsto para situações específicas, a Duimp pode ser registrada antes da chegada da carga nas operações aptas a esse fluxo. Essa possibilidade permite antecipar determinadas etapas e pode contribuir para maior previsibilidade no planejamento do despacho.

No modal marítimo, essa lógica avançou em 2026 com a ampliação de funcionalidades relacionadas à revelação de canal e ao desembaraço sobre águas, permitindo, nas situações aplicáveis, que parte do processamento ocorra antes da atracação da embarcação.

Para operações a granel, isso reforça a importância de coordenar dados, documentos, controles administrativos e planejamento logístico antes da chegada da carga.

Antecipar não significa registrar sem conferir

A possibilidade de antecipar etapas aumenta a importância da qualidade e da consistência dos dados utilizados na operação.

Quando a empresa registra informações antes da chegada da carga, precisa validar documentos comerciais, dados de transporte, classificação fiscal, tratamentos administrativos e informações da mercadoria.

Um erro transmitido mais cedo continua sendo um erro. Em um processo mais integrado, divergências nas informações podem exigir ajustes e afetar diferentes etapas da operação.

Por isso, o benefício da antecipação está diretamente relacionado à qualidade dos dados, à definição de responsabilidades e à existência de procedimentos de conferência antes do registro.

O que fazer até 11 de outubro de 2026?

O primeiro passo é verificar se as operações reais da empresa estão efetivamente alcançadas pelo desligamento da DI previsto para o granel marítimo em 11 de outubro de 2026.

Essa análise deve considerar as características da operação e eventuais situações especiais ou hipóteses ainda previstas no cronograma oficial de migração.

A partir desse diagnóstico, a empresa consegue identificar quais operações precisam estar preparadas para seguir pelo fluxo da Duimp e direcionar os testes e ajustes necessários antes da mudança.

O cronograma oficial de desligamento da DI deve ser tratado como fonte principal, porque o governo atualiza datas, impedimentos e etapas de implantação conforme a evolução do projeto.

Depois, é hora de sair da análise teórica e validar os processos na prática.

Checklist de preparação para a migração

Antes do desligamento, a empresa deve ter respostas claras para alguns pontos:

  1. nossas NCMs e produtos estão preparados para o fluxo da Duimp?
  2. os atributos e dados do Catálogo de Produtos foram revisados?
  3. os tratamentos administrativos foram verificados e sabemos quando haverá necessidade de LPCO?
  4. os sistemas internos estão integrados ou preparados para o novo fluxo?
  5. despachante, agentes de carga e transportadores trabalham com informações consistentes?
  6. já realizamos testes com cenários representativos das operações reais?
  7. existem procedimentos internos para tratar divergências, ajustes e retificações, quando aplicáveis?

Se várias dessas respostas ainda forem negativas, o período adicional até outubro deve ser utilizado para adequar sistemas, dados e procedimentos, e não apenas como uma extensão do prazo de utilização da DI.

Por que a migração deve ser tratada como mudança de processo?

A Duimp não é apenas uma nova forma de registrar a mesma operação. O Novo Processo de Importação utiliza dados estruturados, módulos integrados e maior reutilização de informações ao longo do processo.

Essa mudança exige revisar responsabilidades e fluxos internos. Informações utilizadas no registro precisam ser organizadas com antecedência, cadastros compartilhados entre diferentes áreas devem permanecer consistentes e parceiros externos precisam estar alinhados quanto aos dados utilizados na operação.

Para cargas a granel, em que peso, quantidade, descarga e logística portuária podem exigir coordenação específica, essa integração ganha ainda mais importância.

Para acompanhar outras atualizações sobre Portal Único, Duimp e mudanças no processo de importação, o blog do Grupo Pinho reúne conteúdos voltados à rotina do comércio exterior.

O Grupo Pinho atua com transporte internacional e desembaraço aduaneiro em uma gestão integrada da operação, conectando informações logísticas e aduaneiras em diferentes etapas da cadeia.

FAQ

Quando a DI será desligada para carga a granel?

O Siscomex adiou de 31 de agosto para 11 de outubro de 2026 o desligamento da modalidade de embalagem tipo Granel por DI. A empresa deve, porém, consultar o cronograma atualizado e verificar se sua operação está efetivamente alcançada pelo desligamento e se existem situações especiais aplicáveis. 

Carga a granel já pode ser registrada por Duimp?

Sim, desde que a operação esteja habilitada para o fluxo da Duimp. Como a migração ocorre de forma gradual, é necessário verificar o enquadramento da operação e eventuais situações ainda previstas no cronograma oficial. 

O que muda da DI para a Duimp?

A Duimp integra o Novo Processo de Importação e utiliza uma estrutura baseada em dados e módulos integrados, como Catálogo de Produtos e LPCO, quando aplicável. A migração também amplia as possibilidades de antecipação de informações e exige atenção aos cadastros, sistemas, tratamentos administrativos e integração entre os intervenientes. 

A Duimp pode ser registrada antes da chegada da carga?

Sim. A Duimp pode ser registrada antes da chegada da carga nas operações aptas ao registro antecipado. Após a chegada ao destino final indicado no conhecimento de carga, devem ser observadas as regras relacionadas à recepção da carga no sistema de controle para o registro da declaração. 

O que a empresa deve revisar antes do fim da DI?

É recomendável revisar NCMs, atributos, Catálogo de Produtos, tratamentos administrativos e eventual necessidade de LPCO, integrações de sistemas, dados dos operadores estrangeiros e troca de informações com despachantes, agentes de carga e transportadores.

Também é importante realizar testes com cenários representativos das operações reais e validar procedimentos para eventuais ajustes e retificações.

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