Comex

Inovação, inpiração e pioneirismo.

Alex Cardoso
February 5, 2020

Sempre que recebemos visita, a curiosidade de saber como é ser pioneiro em uma área tão volátil em termos de normas e alíquotas como o COMEX surge. Como curioso que sou, busquei conhecer o passado da empresa a qual me vinculei em Agosto de 1985, embora já houvesse trabalhado com os serviços dela, como representante da Itaipu. O fundador Sr. Aloísio Pinho foi pioneiro em despachos da 9a Rg.Fiscal (PR/ SC), mas deixou raras memórias parcialmente resgatadas com clientes e fornecedores. Na época, a Exportação de Madeira dominava e por isso o primeiro escritório da Pinho foi em Antonina, um prédio ainda existente com a Logomarca da Pinho visível em sua pintura externa, eternizada em uma foto moderna exposta em nossa antessala em Curitiba. De lá para cá muitas coisas mudaram, mas a fama de ser uma empresa de vanguarda e inovadora só cresceu.

O Pioneirismo da Pinho não se deu apenas na área do Despacho Aduaneiro na 9a. rg. fiscal, mas extrapolou seu mundo para serviços assessórios como o Seguro de Transporte Consolidado, que simplificou tanto o processo que o mercado triplicou seu tamanho, alcançando todos os pontos do país com milhares de averbações na Apólice Pinho sendo gerenciadas por uma Curitiba dos anos 1980, ainda tímida no cenário nacional. A prática elaborada pela Pinho com o apoio da Bradesco Seguros S.A espalhou-se pelo Brasil, sendo depois copiada pelos concorrentes após 10 anos de reinado solo.

Pinho foi, também, o maior agente de carga aérea de exportação do Brasil

com centenas de embarques aéreos e marítimos a encher nossas Cias Aéreas, principalmente a Varig, mas que também outras como Lufthansa, Swissair, British, KLM, Alitália e a saudosa SAS entre outras que também foram excelentes parceiras. Outro grande feito foi efetuar o primeiro DTA (declaração de trânsito aduaneiro) direto, desde o Aeroporto de VCP (Viracopos) para um Armazém Alfandegado sem passar pelo Aeroporto de Curitiba. Centenas de caminhões foram usados neste projeto sem nenhum acidente ou incidente.

No ramo marítimo, a PINHO foi a Pioneira no NVOCC de exportação, salvando uma difícil realidade de uma Cooperativa de Seda que havia vendido pequenos lotes de SEDA PURA para vários países no Oriente e que se viram sem Navios de Carga Geral para enviá-las. Nesta operação, um Diretor da Pinho lutou para conseguir um Container em seu nome para enviá-la para um agente em Singapura para dali efetuar os on forwarding das cargas aos seus destinos finais: Singapura(4); Calcutá (1); Hong Kong (1); Melbourne (3). Isto em uma época em que não se podia remeter valores livremente entre nações, devido ao forte controle do Banco Central em que o prazo médio de se receber autorização para recebimento do valor em Cruzados e nova autorização para remessa de valores para fora giravam em 25 dias com uma inflação de pelo menos 10% ao mês. As soluções encontradas neste serviço que durou pelo menos 5 anos de reinado quase isolado foram mirabolantes a ponto de se poder escrever uma novela com centenas de capítulos.

Vários mega-projetos nas áreas de energia passaram pela Pinho, como as liberações das cargas de Itaipú com transformadores de 360 toneladas e liberações aduaneiras quase simultâneas de cargas no Porto do Rio de Janeiro e Paranaguá, pois não poderiam ser movidas pelo porto de Santos por conta da precariedade no transporte na serra, dado que a Rodovia dos Bandeirantes não poderia ser utilizada. Da mesma forma na Usina de Salto Segredo. Tanques de guerra americanos, usados na operação Tempestade no Deserto na Guerra do golfo tiveram seus trâmites aduaneiros efetuados pela Pinho.

No campo Jurídico, Pinho foi a primeira empresa a desafiar o DECEX e o Banco do Brasil ao entrar com um Mandado de Segurança contra aquele órgão e liberar a Guia de Importação da Máquina Rotativa da Gazeta do Povo que gerou uma economia gigantesca para aquela empresa que deixou de pagar 1,3% do valor da carga em troca da emissão da Guia de Importação, o que de uma forma ou outra condenou esta taxa para sempre até ser extinta.

O pioneirismo da Pinho em vários setores ao longo de sua existência necessitaria um livro para ser recordado. Desde seu fundador, Aloísio Pinho ao seu substituto o General Clovis Ferreira de Souza que permaneceu ativo na presidência da empresa até seus 100 anos e meio, falecendo em Novembro de 2017 quando entrava na Paróquia Santo Estanislau em Curitiba para assistir à Missa diária, ato que precedia sua chegada à Pinho por volta das 7:40 h saindo às 16:00 horas para, sozinho, dirigir-se de ônibus para sua residência. Um exemplo de vida de um grande presidente que substituiu ao seu predecessor, Aloísio Pinho, em suas funções de líder.

Essa é outra história  que merece um post em breve.

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